Autoengano, menoridade e o problema do mal em Kant
Self-deception, Immaturity and the Problem of Evil in Kant
Palavras-chave:
Autoengano, Menoridade, Mal Radical, Autoconhecimento, EsclarecimentoResumo
Neste artigo, investigamos a relação entre menoridade, autoengano e mal radical no pensamento de Immanuel Kant. A investigação pautou-se pela análise de passagens de vários textos de Kant, levando em conta a evolução de seu pensamento ao longo dos anos, e sempre dialogando com a literatura secundária. Partimos da célebre caracterização do Esclarecimento como “saída da menoridade”. Procuramos mostrar que, no campo prático, o autoengano moral pode ser interpretado como uma forma de “menoridade moral”. Para isso, voltamo-nos primeiramente à teoria kantiana do mal, segundo a qual o mal radical consiste na inversão da ordem dos fundamentos do arbítrio, pela qual o amor de si é posto como princípio supremo em lugar da lei moral. Argumentamos que, para Kant, essa inversão só é possível porque, por meio do autoengano, encobrimos de nós mesmos os fundamentos de nossas ações. Interpretamos, então, essa espécie de autoengano em comparação com o conceito de menoridade. Concluímos que, assim como o Esclarecimento exige a coragem de pensar por si mesmo, a superação da menoridade moral exige o esforço de autoconhecimento, condição para a “revolução de caráter” que restabelece a lei moral como princípio supremo do arbítrio. Em ambos os casos, trata-se, para Kant, de uma exigência prática que demanda coragem e decisão, cuja realização nunca é completa, mas sempre apenas aproximativa.
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